Franciele Ferreira
A empresa americana Benetton marcou seu retorno à
“propaganda de choque” e criou uma grande polêmica no meio publicitário ao
apresentar sua nova campanha batizada de “Unhate” (algo parecido com “sem ódio”).
Aparentemente, consideramos uma ideia normal, “promover a paz”, porém, ao
visualizar as imagens divulgadas, nos deparamos com alguns líderes mundiais se
beijando. É claro que não passam de fotomontagens, porém de certa forma,
acabaram agredindo a imagem dos envolvidos. Dentre eles, o líder da igreja
católica o Papa Bento XVI “beijando” Ahmed Mohamed el Tayeb Imã, da mesquita de
Al Azhar no Cairo. Horas depois do
lançamento, a Igreja Católica ameaçou processar a empresa, que pediu desculpas
e retirou a imagem do beijo. A campanha foi condenada pelo Vaticano que
qualificou a fotomontagem como "uma grave falta de respeito com o
papa" e "uma ofensa aos sentimentos dos fiéis!".
A campanha tem como objetivo dar a conhecer que o amor e o
ódio estão sempre de mãos dadas através de atos carinhosos entre esses grandes
líderes do mundo.
E o presidente dos EUA também não poderia faltar na história,
pois aparece “beijando” o líder chinês, Hu Jintao, e em outra com o presidente
da Venezuela, Hugo Chávez.
Polêmicas e discussões são inevitáveis – aliás, são até
desejáveis nesse tipo de campanha. O que resta saber é se, 20 anos depois de
sua última grande ação publicitária, a Benetton com “Unhate” irá encontrar
respaldo de um público que, diferente daqueles consumidores das décadas de 80 e
90, vive imerso no mundo digital, com amplo acesso a informação e muito mais
exigente no que toca a questões polêmicas como essas.





